quarta-feira, 30 de maio de 2012


Debate em Adamantina

Em Adamantina este bate papo fez parte da programação do projeto “Roda Cultura” no distrito de Lagoa Seca. Tivemos o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e a conversa foi animada e se não fosse o horário adiantado para o almoço o papo iria mais longe.
Estavam presentes vários funcionários da própria Secretaria Municipal de Cultura como o Passarinho, a Jurema com seu filho Enrico seu marido o grande cozinheiro Valter, o Acácio, Henrique, Irisvaldo, Patrícia e a Cintia com o Pedro seu filho.
Fizemos uma prévia do que pretendíamos ali com nossas discussões sobre a realidade local do cotidiano artístico dos grupos de artes e as políticas voltadas para a cultura no âmbito municipal.
A administração pública em qualquer Secretaria tem que ser planejada, discutida e avaliada junto com os beneficiários da mesma e não seria diferente na área da cultura. Em Presidente Prudente, nossa experiência nesta participação junto a Secretaria de Cultura foi das piores no Conselho Municipal de Cultura. Passamos por vexames com manifestações cretinas, mentiras do próprio Secretario Municipal Fábio Nougueira e coerções do poder público municipal e foi necessário explicar mais a fundo a este grupo que se iniciava a conversa os motivos pelo qual somos contra a ação apática, personalista e coronelista dessa pasta sem sermos partidários em nossas avaliações sobre as políticas feitas que não podem ser consideradas como pública e produzida pela elite e para a elite. O pior é que este comportamento podemos perceber em vários outros municípios pelo país afora e quando queremos ver as informações sobre como as ações do governo foram feitas (prestação de contas) não nos é permitido avaliar.
Na seqüência de nossa fala o Acácio fez uma explanação sobre o panorama em Adamantina com as ações de sua administração como secretário. Ele afirmou que depois de um período sem muitas novidades na cidade, começaram os trabalhos inspirados em uma gestão anterior feita por Silvio Graboski na tentativa de um resgate de algumas ações que foram perdidas ao longo dos anos tentando reconstituir um cenário de manifestações artísticas que havia nesta gestão citada. Porém, os recursos pra cultura em uma cidade pequena também é muito pequeno é se faz necessário buscar financiamento em outras fontes que não só a prefeitura municipal, apesar de terem também uma boa relação também com o governo do Estado. E, aos poucos conseguiram provocar as pessoas da cidade com o início de uma pequena programação de artes que sempre teve minimamente um resultado favorável de público e crítica.
Com isso perceberam que, de certa maneira, estavam construindo um cenário que dava suporte pra criação artística, havia um pequeno fomento a arte local na Banda Marcial com mais de 20 anos de trabalho, o teatro com a Cintia, Tiago Casado e o Rafael (Báquicos), o artesanato e outras manifestações da cultura popular.
Também falou da dificuldade em engrenar algumas ações culturais e de como pode ser solucionado esse problema. O Tiago se lembrou do exemplo em Mirandópolis que fomos em uma apresentação através do Circuito Cultural e tivemos pouco público e depois voltamos lá e percebemos que estava acontecendo mudanças. A conversa com a representante da cultura de lá foi boa e realmente tivemos outro perfil de público. Realmente algumas ações, como estes exemplos de maturidade para a formação de público, demoram um tempo pra funcionar de maneira eficiente. Outro exemplo é o nosso Ponto de Cultura que agora começa a ter resultados melhores. Contamos a história do ICC (Índice de Chutamento de Canela). O ICC é medido pelo tanto que apanhamos da molecada nos bairros por onde fazemos questão de levar nossa programação. Aos poucos o ICC baixou a quase a zero e o bem cultural começa a ser visto de outra maneira pelo público e pela própria molecada que antes não conseguiam ficar quietos. Mas existe também a necessidade de uma programação mais constante. Com o Ponto de Cultura em 2010 conseguimos levar 95 atividades para a periferia da cidade de Presidente Prudente coisa que sem o Ponto de Cultura dificilmente teremos condições de fazermos isso novamente.
A facilidade das programações serem feitas na rua atraem as pessoas. Percebemos que existe um receio muito grande do público em se aproximar. Receiam por diversos motivos, por acharem que isso é coisa de gente rica, por acharem que não vão gostar, por suas vestes, etc. E isso se dissipa aos poucos. Isso passa por uma compreensão do direito que as mesmas têm em ver Arte. Do público que pretendemos as crianças aceitam mais fácil a novidade, os adolescentes chegam com reticências e os adultos por final se aproximam quando se sentem mais seguros que não vão ser aviltados ou que não será uma programação chata de se acompanhar de maneira obrigatória. Quando eles percebem que não tem nenhuma vinculação com brindes, comida, política, prêmios ou festividades outra que não seja apenas o bem cultural para serem apreciadas e pouco a pouco estas pessoas nos reconhecem como alguma coisa diferente e que antes não tinham contato mesmo. Aos poucos, sem precisar falar como se vestir para ir as nossas programações ou como se sentar para apreciar os bens culturais ofertados, as pessoas começam a valorar o que recebem e entender que o que estamos fazendo verdadeiramente é pra eles. As vezes sentimos que esses avanços feitos se aproximam com a idéia de frentes pioneiras. Porém, não é um erro levar programações para o centro das cidades, o problema é apenas levar para lá em detrimento dos demais lugares da cidade.
Levando em consideração estes aspectos que são primários pensamos a relação que acontece nos bairros. Esse é o ponto de partida e as pessoas destes lugares devem vir conosco na construção desse processo. Não queremos soluções que venham de escritórios fechados com negócios escusos que se julgue no direito de dizer o que deve ser feito. Deve ser levado em consideração o pensamento coletivo.
 Se pensarmos a cidade como um todo percebemos que Saúde, Assistência Social e educação já estão chegando à maioria dos bairros da periferia da cidade. Porém, no caso de Presidente Prudente, por exemplo, cria-se um ícone de cultura em ponto específico da cidade que é o Centro Cultural Matarazzo, mas esse ícone é falso e insuficiente para servir a população da cidade como um todo. Uma família desprovida de recursos não sai de um bairro periférico para ir ao centro ver uma exposição fotográfica que seja. Fazendo outra análise, se por acaso, fossemos servir a cidade com cultura e arte em sua plenitude não daríamos conta da demanda e levaríamos um tempo para entender essa nova dinâmica.
Isso é apenas o processo de formação de público que falamos acima e a formação dos grupos novos de arte é mais difícil e complexa ainda. Os grupos surgem e além dos problemas enfrentados na relação cotidiana de problemas e falta de recursos os mesmos fazem trajetórias enormes de desencontros baseados no amadorismo de suas ações. Existe uma necessidade de um suporte para que os grupos possam se formar artisticamente para além da formação das escolas e de uma maneira mais empírica e não paternalista.
A discussão foi mais longe sobre isso.
Quem vai pagar pelo processo de formação de um artista?
Lembramos da discussão em Ilha Solteira com as alunas do Balé e do “Paitrocínio”. Ou seja, se não for a família que dá certo apoio a coisa não vai pra frente de maneira alguma. Se não tem isso apela pra onde? Por estes e outros motivos é que os grupos têm muita dificuldade em se dedicar a ensaios e outros processos formativos fazendo obras de arte de pouca qualidade e sem interesse público.
Podemos perceber em Adamantina que a dinâmica cultural não é de uma cidade de 35 mil habitantes do interior do estado. A Secretaria sempre tem alguma programação com qualidade e isso é uma política do governo municipal atual e os funcionários desta Secretaria acreditam que quando mudar o governo a população vai cobrar por uma programação de qualidade. Isso por conta das ações no Conselho Municipal de Cultura e da maneira como os próprios funcionários públicos trabalham na cidade. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

NOTÍCIA RV!

Pessoal, o Rosa dos Ventos em junho participará do Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte. Vejam o link do site abaixo e a nossa programação na Capital mineira!
http://www.fitbh.com.br/2012/index.php



14 de junho – BELO HORIZONTE MG
Festival Internacional de Belo Horizonte
Espetáculo: A Farsa do Advogado Pathelin
Local: Praça 7 Horário: 15 horas




15 de junho – BELO HORIZONTE MG
Festival Internacional de Belo Horizonte
Espetáculo: A Farsa do Advogado Pathelin
Local: Praça Savassi Horário: 16 horas


16 de junho – BELO HORIZONTE MG
Festival Internacional de Belo Horizonte
Espetáculo: A Farsa do Advogado Pathelin
Local: Centro Cultural Villa Fátima Horário: 11 horas


17 de junho – BELO HORIZONTE MG
Festival Internacional de Belo Horizonte
Espetáculo: A Farsa do Advogado Pathelin
Local: Praça Padre Marcelo Horário: 16 horas


18 de junho – BELO HORIZONTE MG
Festival Internacional de Belo Horizonte
Espetáculo: A Farsa do Advogado Pathelin
Local: Centro Cultural São Bernardo Horário: 15 horas

quarta-feira, 23 de maio de 2012



Queridas, queridos e queridxs do Sul,
Voltamos bem! Estamos todos em casa trazendo uma balaio de lembranças incríveis da nossa viagem ao Rio grande do Sul, do Palco Giratório do SESC e do EEG - Encontro Estadual de Geografia na cidade de Rio Grande-RS!
Para alguns de nós que estivemos por algum tempo sinceramente na geografia, realizando congressos de estudantes, regionais e profissionais foi uma vivência totalmente diferente fazer a apresentação do Saltimbembe Mabembancos para geógrafos e estudantes do EEG!

Foi bom rever gente que a vida apagou os traços surgirem a nos abraçar e ver nossas incoerentes maneiras de ser coerentes!
Entre nós sou o "anarquista amoroso" e não há como não reparar a candura dos a nos dispensada em Rio Grande!

Foi apaixonante ver as pessoas balançadas pelas possibilidades sadias e insanas de enlouquecer!
Diga a todas que não sabemos se existe vida após a morte, mas certamente existe vida após a graduação, pós-graduação e encontros de geografia!

Nunca me senti tão agraciado e contemplado em um encontro de geografas, geógrafos e geográfxs!
Virei uma noite inteira acordado, dancei, brinquei, xinguei e ainda assim ganhei presentes e só fui obrigado a ver a mesa que eu participei!
Parafraseando o Bruno e seu pupilo "Existe um gê na geografia....gê de Gente!"
Repassem a mensagem para os amig@s e também para os inimig@s para que continuem com raiva de quem d'outro modo pensa a vida ávida de vida!
Beijão
Sobreroide asteroide paranoide! (não necessariamente nesta ordem)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Relato Síntese dos debates do ProAC 02 (circulação de espetáculos) – Saltimbembe Mambembancos – Grupo de Circo Rosa dos Ventos


      A proposta de debate sobre políticas públicas de cultura para o interior paulista ocorreram em 7 municípios do estado, a saber: Itapetininga, Ilha Solteira, Santa Fé do Sul, Paraguaçu Paulista, Santos, Adamantina e Barretos
      As especificidades de cada local e das pessoas envolvidas faz com tenhamos recolhido informações heterogêneas, segundo a necessidade local e com a dinâmica de cada lugar e dos agentes e atores culturais. Consideramos aqui agentes culturais os profissionais ligados à gestão pública e atores todos os profissionais que realizam a política pública, mas não possuem cargos públicos ligados à cultura.
      As políticas públicas para a cultura oferecidas pelo estado chegam e não recebem avaliação e apreciação dos envolvidos.
      Um dos elementos a ressaltar é a descontinuidade de algumas ações, pouca ou rara dedicação à profissionalização dos artistas, falta de avaliação da execução das políticas em cada localidade e desconhecimento das mesmas.
      Em cidades como Santos e Adamantina se nota claramente uma dinâmica e preocupação com o conselho municipal de cultura, mas nos outros municípios a existência dos conselhos ainda caminha com um grau de dificuldade importante e as políticas públicas sugeridas não avançam na velocidade e participação dos interessados, ficando assim, aquém de suas funções.
      Nota-se então que o tema da política cultural estadual e municipal não é tratada como se espera e como é urgente nesse lugares todos, dando-nos a impressão que esta é a realidade de municípios semelhantes.
      No caso de Santos já existem editais municipais e grupos que recorrem às políticas estaduais de maneira mais efetiva, mas nos municípios de pequeno porte, tanto a profissionalização como a demanda de concorrência por editais públicos é inexistente ou pontual.
      Todas essas iniciativas encontradas nos locais que estabelecemos o debate dependem de entusiastas ou pessoas que gostam da cultura e por isso investem seus esforços na execução destas atividades. Isso não reduz o profissionalismo, mas evidencia que essas pessoas são mais guardiões que agentes públicos de uma ação cultural que deve ser uma prática permanente da gestão pública.
      Tal percepção faz imediatamente entender que as pastas municipais destinadas à cultura ainda são permeadas pelo diletantismo e por dependerem desse tipo de relação, significa que na ausência dessas pessoas poderá ocorrer um retrocesso nas ações e projetos conquistados.
      Salvo o caso de Santos este fato é menos importante. Em decorrência desse empenho que se denota mais pessoal do que de caráter público da ação política é que percebemos que o debate sobre política pública para a cultura fica mais no campo da exigência do que na concepção do que é ou deveria ser uma política adequada para essas realidades encontradas.
      Se um conselho municipal de cultura é importante, parece que para a Secretaria de Estado da Cultura não importa se existe, se funciona e se deve pronunciar alguma informação útil para a gestão da cultura estadual. Então, enquanto o Governo Federal tenta se estruturar em cima destes conselhos o Governo Estadual passa ao largo desta instância local e mantém uma relação estrita com os agentes e fazedores  culturais, não oferecendo condições de amadurecimento e de politização dos envolvidos em suas demandas por arte e cultura.
      Notamos que o equívoco dessas políticas públicas culturais oferecidas pelas esferas municipais, estadual e federal não são perenes, confiáveis, baseada em planos, metas suprapartidárias e supra mandatárias do poder. Todas elas dependem de pessoas e de governos e não se notabilizam por serem medidas e frutos do Estado e de seu caráter inalienavelmente público. Elas são por assim dizer, voláteis a cada mandato, instáveis e prova disso é que há poucas ou nenhuma lei que garanta que elas tenham continuidade independente do governo.
       O resultado disso é que o recurso público destinado à fruição dos bens culturais chegam às localidades, ocorrem e se vão sem qualquer propósito empenho no desenvolvimento cultural! Muitas vezes ocorrem nas áreas centrais da cidade, com grande público de escolares e a dimensão da cidade, bairros e das pessoas que não descobriram o direito de se beneficiar dessas ações culturais ficam de fora dessas iniciativas.
      Em razão disso não se pode dizer que o Estado está ausente ou que não exerça uma distribuição dos bens culturais, mas que não há um envolvimento para identificar qual é a função e para quem essas ações estão sendo levadas e como tornar essas pessoas, mais que um público formado, mas um público capacitado para falar de seus interesses e colocá-los na forma de políticas efetivamente compromissadas com seus valores, interesses e necessidades.

Debate sobre Políticas culturais em Paraguaçu Paulista


                A conversa deste dia começa com o Tiago (Rosa dos Ventos) explicando para as pessoas que ali estavam sobre o projeto que nos levou até lá e nossos objetivos em encontrar com outros grupos artísticos comparando os trabalhos discutindo melhorias inclusive para o financiamento da produção artística do interior do estado de São Paulo.
                A ida para Paraguaçu é resultado de uma parceria que envolve o Ponto de Cultura Prudente em Cena, ProAc 02 (circulação de espetáculos) e da Secretaria Municipal de Cultura local. Estavam pessoas do grupo Criarte de Teatro, Integrantes do grupo Viola Ensina, alunos da prof. Vanessa, a prof. Érica, integrantes do Centro de Artes e o Júlio que trabalha com artesanato em bambu.
                O primeiro a falar foi o Reginaldo explicando o que é o ProAc e a realidade do seu grupo e os benefícios a partir do fomento que receberão com o Ponto de Cultura deles em Paraguaçu. Gabriel deu continuidade, fazendo um histórico estético do Rosa dos Ventos através da formação de nossos espetáculos e o Tiago complementou o histórico falando de outros aspectos. Reginaldo (Criarte) também fez um histórico da vida cultural de sua cidade e do grupo que participa. Disse que se sente feliz de ter os companheiros que completam este grupo numa história de iniciação artística para crianças e adolescentes que são fruto das sucessivas oficinas culturais e cursos de arte ministradas na cidade. Oferecer arte significa mostrar algo as pessoas e isso implica numa parte chata e necessária que é o processo de criação com uma mínima qualidade que faça valer a pena. Que garanta a participação em outros lugares numa circulação viva deste espetáculo que não é um produto comercial.
                O Tiago falou sobre a importância da formação de público e da maneira como acontecia em Paraguaçu e a eficiência desse processo que lá ocorreu. Depois discutimos a importância das apresentações para os locais que as recebem. Na apresentação de nosso espetáculo no distrito de Conceição de Monte Alegre era visível o contentamento das pessoas. Porém, é muito difícil manter uma grade de espetáculos num distrito de qualquer cidade do interior do estado. O acesso a arte é difícil e é necessário esforço para levar arte acessível a população e o trabalho do Rosa dos Ventos não é erudito e nem esta ligado a academia e sim, mais próximo da cultura popular feito na rua o que aproxima muito pessoas que nunca viram Artes Cênicas em suas vidas.
                A Professora Vânia falou sobre a realidade do seu grupo dentro da escola pública e a maneira como a mesma desenvolve seu trabalho com crianças e adolescentes. Trabalho este que também é desenvolvido pela professora Érica em outra escola pública e que resulta em mais pessoas procurando pelos cursos de arte que aparecem pela cidade.
                Tiago fez uma fala que introduziu o que seria a conversa sobre o vídeo que seria mostrado e falou sobre a diferença do trabalho feito pelos grupos de teatro que fazem arte em grupo e da necessidade de financiamento do governo. Não há interesse do mercado em trabalhos como esse.
                Das discussões sobre o conteúdo do vídeo que consideramos densa elegeremos três tópicos para falarmos. O primeiro deles é sobre os programas de governo e a perenidade das ações junto as pessoas. Existe necessidade que isso vire uma lei e não apenas uma política de governo que acabe quando o prefeito for embora e vier outro. Em segundo lugar mas não menos importante é a situação da dedicação que se tem ao fazer artístico. Arte para surgir é necessário trabalho e suor. A maioria dos artistas no Brasil desenvolve seu trabalho artístico paralelamente a outro trabalho que não o teatro em si. Dificilmente desenvolvem apenas arte. A dificuldade do financiamento para isso é tamanha que faz com as pessoas tenham sobrecarga de trabalho e não desenvolvem de maneira satisfatória suas atividades. Em terceiro lugar é que estamos falando sobre teatro, mas estão nestas condições estão todas as outras artes. O problema é geral e a ação a ser pensada é política. Deste modo, acreditar que é importante a profissionalização e para isso deve ser considerado que se viva da arte para a ela se dedicar com qualquer outra função que faça parte da economia e das necessidade humanas.
               
             

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Inicio da coleta de informações sobre políticas de cultura no interior

Estamos reiniciando nossas atividade de coleta de informações! Algumas coisas estão surgindo de comum e até o final do semestre teremos um apanhando que diga algo de real sobre as demandas para o desenvolvimento artístico no interior!
Vamos lá!

Relatos de Ilha Solteria


Encontro em Ilha Solteira – SP (05/11/2011)
ProAc 02 - Circulação de espetáculos 2011

Neste encontro nos deparamos com uma realidade bastante diferente dos outros. Estávamos juntos com algumas pessoas que fazem teatro e muitas adolescentes que fazem parte da Academia de Dança Fiu-Flut. Como falaríamos sobre nosso processo de criação e políticas públicas culturais para o interior do estado de São Paulo de uma maneira que interessasse a estas pessoas? Foi muito legal!
Fizemos no dia anterior o espetáculo “Saltimbembe Mambembancos” para um público de mais 600 pessoas. Fomos recebidos pelo Secretário de Cultura que nos mostrou suas ações e maneiras de agir na cidade. Saímos de lá convencidos que realmente existe uma dinâmica cultural interessante na cidade. Depoimentos do próprio secretário de cultura e de outras pessoas que nos relataram enquanto lá estivemos.
Na reunião de sábado pela manhã apenas algumas pessoas tinham assistido nosso espetáculo. A maior parte do público deste encontro eram da Academia Fiu-Flut que vieram participar como atividade pedagógica importante para seu próprio grupo.
Falamos sobre nosso processo de criação dos espetáculos e produção de maneira bastante didática por conta do público que estávamos conversando. O interesse girou em torno de nossa formação e como foram sendo superadas as dificuldades do grupo nos seus 12 anos. Explicamos os anos de formação na Universidade, a opção em não dar aulas e sim depender de circulação de espetáculos de teatro de rua, os diversos trabalhos outros que chamamos de “rabo de foguete” que nos ajuda financeiramente.
Por conta de decisões em suas vidas particulares surgiu interesse nestas adolescentes sobre a nossa vida de artista e a relação com a família. Explicamos todos os nossos casos de rejeição familiar, uns mais outros menos, e como fomos superando algumas formas preconceituosas e marginais de enxergar o trabalhador artista. O Fernando contou a velha história que a Vó dele acordava ele de manhã pra ir na colheita do algodão, laranja e que parasse com o teatro que era coisa de viado. Acredita? Para poder exemplificar o nosso caso falamos sobre nosso extenso cotidiano de trabalho e a sobrecarga que temos contrariando a ideia do vagabundo artista fanfarrão.
Indicamos a insistência. Ou seja, faça com uma força tal que não é possível o que você esta fazendo não ter algum valor. Isto é um trabalho e tem que ter um conhecimento como tal. Tem que existir uma busca árdua pelo reconhecimento da família. E a dedicação dada a isso é muito maior do que num serviço outro porque existe a necessidade constante de estar procurando caminhos pro seu serviço.
A primeira brincadeira que surgiu com as pessoas que lá estavam foi sobre o braço machucado do Luis. Ele se acidentou durante o espetáculo em Ilha Solteira, mas antes de casar sara!
Recebemos elogios do dia anterior. Não sei bem se foi um elogio. Rosangêla Galana, a Tia Rô, da Academia de dança falou que nos somos palhaços HORORROSOS e ESQUISITÍSSIMOS. Que até somos bonitinhos, mas quando acontece o espetáculo somos muito feios, porém divertidíssimo.
Ela fez um histórico de sua academia e apontou os motivos pelos quais ela tinha trazido suas alunas explicando a realidade local de produção de arte. Falou também, sobre nosso espetáculo e a maneira como ele acontece. Reafirmou que é possível produzir arte de qualidade na rua.
Explicamos que fomos à pior atração do Circuito Cultural e que outras melhores virão!
O grupo local de teatro Cordel também estava nesta conversa e fizeram um histórico do grupo das dificuldades e vitórias em suas ações e dos primeiros passos da peça “Essa Mulher é Minha”.
A discussão caminhou muito sobre a discussão da produção de arte em grupo e seus conflitos. Em certa altura nos perguntaram se brigávamos. Dissemos que nunca tínhamos brigado e que vivemos em perfeita harmonia junto com a Tinker Bell e outras fadas no reino do amor. Como eram só adolescentes quase acreditaram, mas não deu certo nossa história do reino encantado e daí foi preciso falar das feridas.
Tentamos explicar que temos alguns esportes onde aliviamos a tensão o ogroboll e a luta dentro do carro. O Cinturão da luta no carro esta com o Gabriel.
Falamos sobre nossos problemas e dificuldades pra termos um espetáculo que achamos agradável. Este espetáculo foi produzido por 6 pessoas e assim para que aconteça vai ser necessário estas seis estarem lá. Nossos conflitos devem ter menos importância do que a arte produzida. Por que a convivência em grupo favorece esta produção. Para não termos problemas com relação teríamos que fazer espetáculos solos.
Depois destas conversas animadas com o pessoal passamos um trecho do vídeo do festival e Sobreira falou aos discípulos. KKKKK “ A Arte que produzimos não interessa ao mercado.”
Qualquer desvio ideológico do ponto de vista do status quo seu espetáculo já vai a margem do processo cultural. A arte pasteurizada, aquela dos bons macacos amestrados que não provocam mudança nas pessoas é interessante ao mercado. Porque vai ajudar a manter o poder. Essa arte apenas reafirma os valores de uma sociedade que na realidade é outra.
Sobreira explicou sobre nossas posições e a maneira como isso aparece em nossos espetáculos e nossos anseios.
Enfim, sendo uma cidade com muitas iniciativas culturais, os grupos de artistas ainda não estão se preparando para o profissionalismo e entender a lógica da produção cultural, dos editais, dos prêmios e outro caminhos para viver exclusivamente da arte. De algum modo continuam a dar aulas ou realizar trabalho paralelos ligados ou não à arte, mas não uma elaboração cultural fomentada para descolar e se profissionalizar.
Nesta busca de aproximar grupos de arte do interior para debates nos fez perceber um quase que desconhecimento do interior por parte da capital do Estado e o desconhecimento de seus próprios pares.